ateneu

CADERNOS DO ATENEU MUSICAL

1ª edição do Caderno do Ateneu Musical

2ª edição do Caderno do Ateneu Musical

3ª edição do Caderno do Ateneu Musical

 

SOBRE O ATENEU MUSICAL

É uma entidade civil sem fins lucrativos, fundada em 17 de junho de 1985, localizada no tradicional bairro do Garcia, à Rua Prediliano Pita, 108, 1º andar na cidade de Salvador – Estado da Bahia.

Surgiu influenciada por uma série de fatores relativos à história da cultura musical da Bahia.

Em 1958, Dr. Wenceslau Pires da Veiga, Médico, Urologista, Professor da Universidade Federal da Bahia, também violinista, aproximou amigos musicistas e organizou um grupo musical que se reunia em sua residência para os ensaios regido pelo Maestro Othelo de Araújo. Curiosamente, a maioria de seus integrantes tinha formação na área de saúde. A sede para os ensaios e a condução do grupo, com o tempo, foi mudando; também se reuniu na residência do Dr. Antonio Barata, casado com a médica Dra. Noélia (ainda vive), na do Maestro Dr. Antonio Laborda, dentista, e, por fim, na residência do Maestro Agenor Gomes (falecido em 5.07.70), principal mantenedor musical da Hora da Criança, fundada por Dr. Adroaldo Ribeiro Costa. O grupo tornou-se tão conhecido, que foi citado no livro Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado. Com o falecimento do Maestro Agenor, Profa. Maria Dulce Calmon de Bittencourt Pinto de Almeida, Diretora do Instituto de Música da Bahia (na época, ainda não pertencia à Universidade Católica do Salvador), convidou o grupo para que se mantivesse ligado à Instituição por ela dirigida, uma vez que um de seus integrantes, o Prof. Flávio Alexandrino Gomes, era, também, Professor de Violino, de Instrumentos de Arco, e de Prática de Orquestra, disciplinas oferecidas à Licenciatura em Música e à Graduação de Piano e de Violino. O Prof. Flávio, além de violinista, era luthier e arranjador musical, e a Orquestra, agora sob sua responsabilidade, em contrapartida, participava de eventos para os quais o Instituto de Música era convidado, além de auxiliar na formação dos alunos de Licenciatura ou de Instrumento Musical para obtenção do diploma de nível superior.

No Instituto de Música da Universidade Católica do Salvador (IMUCSAL), a orquestra permaneceu até 1993. Neste período de 23 anos, dispunha de uma Sala no 1º andar da Instituição, um armário de propriedade do Prof. Flávio para guardar o acervo musical (partituras, documentos de atuação, etc.). O acervo foi-se enriquecendo. Os compositores bahianos que integraram o grupo, neste período, foram deixando suas obras.

A minha ligação com o grupo se deu, inicialmente, como jovem integrante da orquestra que acompanhou a Hora da Criança nas encenações de Narizinho, Timide, e outras peças apresentadas nos Teatros do Instituto Normal da Bahia (hoje do ICEA) e Castro Alves. Depois, em 1975, como ex-aluna do Instituto de Música da Bahia (onde, em 1955, me graduei em música), passei a integrar a orquestra regida pelo Prof. Flávio Alexandrino Gomes, como violinista. Encontrei duas pessoas muito importantes para a vida da Orquestra: Prof. Mario Ribeiro dos Santos, que cuidava do acervo musical, secretariava as necessidades do grupo, promovia os encontros sociais e homenagens, e o Prof. Deodato Guimarães Santos, paulista, empresário no Pólo Petroquímico, violinista, que trazia a experiência de ter fundado a Orquestra Sinfônica de Santos, e fazia o suporte financeiro do conjunto, dedicava-se à formação de crianças, jovens e idosos desejosos de tocar instrumentos de corda, mantinha os instrumentos musicais em condição de uso, beneficiando, assim, a Instituição.

Adoeceu, a ponto de se afastar, o Prof. Flávio Gomes, que faleceu. Em sua homenagem póstuma, a Profa. Maria Dulce Calmon conferiu à sala ocupada pela Orquestra, o nome dele, e o seu grupo musical decidiu chamar-se Conjunto Orquestral Maestro Flávio Gomes. Tinha eu sido admitida como Professora do Instituto de Música da Universidade Católica do Salvador e, em 1989, por força do destino, terminei sendo aprovada em Concurso para Professor Adjunto e depois, para Professor Titular da matéria REGÊNCIA DE BANDA, CORO E ORQUESTRA, tornando-me responsável pela disciplina Prática de Instrumentos de Arco, que foi do Maestro falecido. Sua Família doou todo seu acervo musical ao grupo, que comprou um armário especial para guardar tão valioso presente. Faleceu, em seguida, o Prof. Mario Ribeiro dos Santos. Permaneciam os fundadores Felipe Dias dos Santos, trombonista (faleceu em 10.04.03), Maria Angélica Alves dos Santos (pianista, compositora, filha do Maestro Agenor Gomes e participante das atividades de A HORA DA CRIANÇA) e José Guimarães Santos (dentista, clarinetista, compositor e poeta do grupo, falecido em 14.08.98).

Com a mudança de direção do IMUCSAL, não foi possível, a partir de 1993, a permanência da orquestra na Instituição nem a de seu riquíssimo acervo musical. Surgiu o problema: para onde ir? como manter o grupo? como preservar seu acervo? Inicialmente, os ensaios foram mantidos em A HORA DA CRIANÇA que não tinha espaço físico capaz de receber o acervo. Fui escolhida para guardá-lo, provisoriamente, e reservei um espaço em nossa Clínica AME, em Periperi, até quando, o Prof. Deodato Guimarães Santos decidiu alugar o 1º andar da residência de uma das integrantes da orquestra, e assim surgiu a nova sede, por ele nomeada ATENEU MUSICAL OSVALDO DEVAY DE SOUSA.

A seguir, transcrevo, do livro CRINAS SÔBRE CORDAS, de autoria de Deodato Guimarães Santos, editado, em 1998, pela Visual Art Editora e Comunicação, em Salvador, Bahia, o capítulo O ATENEU E SEU PATRONO.

Fundado em 17 de junho de 1995, tem por objetivos:

a) o ensino livre de instrumentos musicais de cordas, sopro, de percussão, leitura rítmica, teoria musical, solfejo, canto, canto coral, técnica vocal, harmonia, improvisação, composição e historia da música;

b) abrigar e apoiar o Coral Renascer;

c) manter e amparar o Conjunto Orquestral Maestro Flávio Gomes;

d) organizar uma biblioteca accessível a toda a comunidade;

e) fomentar intercâmbio com entidades congêneres e culturais;

f) proporcionar estágios a estudantes de outros estabelecimentos de ensino;

g) cooperar com manifestações artísticas e culturais;

h) conceder bolsas de estudos, em regime e condições específicas.

O patrono do Ateneu, saudoso Dr. Osvaldo Devay de Sousa, nasceu em Alagoinhas, Estado da Bahia, em 14 de janeiro de 1909, filho da Sra. Amanda Devay de Sousa e do maestro e compositor José Hermenegildo de Sousa. Em Salvador, bacharelou-se em Direito em 1931 e formou-se em Medicina em 1942.

Teve destacada atuação na vida pública. Exerceu as funções de Chefe de Gabinete do Governo Arthur Neiva. Elegeu-se Deputado Estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro e pela União Democrática Nacional. Foi Vice-Diretor e Diretor da Penitenciária do Estado da Bahia. Serviu no Departamento Estadual da Criança, em Centros de Saúde, tendo sido Diretor do Terceiro Centro. Serviu ainda no Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários e no IPASE, onde foi Chefe do Serviço Médico e seu Delegado. Aposentou-se como Conselheiro do Tribunal de Contas.

Orador brilhante, desde sua juventude atuou em campanhas em favor da população, no movimento pró construção da Faculdade de Direito; foi orador oficial do Diretório Acadêmico de Direito. Na Faculdade de Medicina, foi orador de sua turma, em 1942, cujo discurso intitulou: O Caçador de Esmeraldas. Fecundo escritor, escreveu crônicas, artigos, poesias, publicados em diversos jornais da capital e do interior.

Deixou publicados os livros Jesus para os Jovens, Juventude e Vida, Girândolas, Caleidoscópio, A Criança e o Resto, Um Livro da Família, Os Filhos, Um Livro para os Pais, O Livro da Vida, Um Livro Ainda, O Livro Undécimo, Úmbria Crepuscular, O Livro Trezeno, Noturno, Castro Alves e Outras Epígrafes, e Camões, os Lusíadas, etc. .Foi letrista de muitas das composições musicais de seu pai, de quem selecionou peças mais significativas e tocantes, perpetuando-as no disco Umbria Crepuscular, editado sob seu patrocínio, em julho de 1989. Na primeira faixa, declamou seu poema com o mesmo título, sobre o som da valsa que deu nome ao disco.

Destacou-se como médico, cuidando da população suburbana carente com a maior abnegação.
Membro e fundador de várias entidades filantrópicas e culturais, foi o principal redator dos atos constitutivos da Associação Cultural Brasil-Japão do Estado da Bahia. Em 9 de maio de 1936 casou-se com a Dra. Olga Cajado Leal, Cirurgiã Dentista. Faleceu em 12 de dezembro de 1992, deixando, além de sua viúva, as filhas médicas e musicistas Ogvalda e Olgany, e o filho e talentoso musicista, Olivaldo.

O Conjunto Orquestral que hoje tem o nome de Maestro Flávio Gomes, tem mais de 50 anos de existência. Recebeu este nome em homenagem a seu último e devotado regente, Flavio Alexandrino Gomes. Excepcional músico, violinista, violista, arranjador, regente, luthier e, acima de tudo, um grande professor, nasceu em 26 de novembro de 1906 e faleceu em 10 de junho de 1994.

O Coral Renascer, sob a direção do Professor Marcos Santana, tem tido destacada atuação nos mais importantes locais de Salvador, como Palácio da Aclamação, Pelourinho, Fundação Dr. João Fernandes da Cunha, Teatro Miguel Santana, em diversas Igrejas e, ainda, nas cidades de Valença e Cachoeira. Prestou significativa contribuição à Associação Cultural Brasil-Japão do Estado da Bahia em seus eventos, e, em especial, na comemoração do Centenário da Assinatura do Tratado de Amizade, Comercio e Navegação firmado entre o Brasil e o Japão”.

Hoje, com oito anos de experiência, o Ateneu Musical Osvaldo Devay de Sousa já integra programações anuais nos Projetos:

ORATÓRIO DO SANTO ANTONIO

ORATÓRIO DA PAIXÃO

CAMERATA CASTRO ALVES

NAVIO NEGREIRO.

Apóia os recitais de:

Tenor GERALDO FREIRE

Soprano MARINA NEVES

Grupo de Tangos COLMENERO

Coral KOSMOS (especializado em músicas japonesas).

No Ateneu ou a ele ligado, existem dois novos Corais: o Coral KOSMOS, especializado em músicas japonesas, e o Coral dos TERCIÁRIOS DOS ARAUTOS DO EVANGELHO, em música sacra.

Atendendo ao objetivo e) intercâmbio com unidades congêneres e culturais, comparece a Escolas, Hospitais, Abrigos de Idosos, Entidades Religiosas, e outras instituições culturais levando sua arte, principalmente a música, para homenagens, aberturas de eventos, cursos, encontros de Corais.

No Conjunto Orquestral Maestro Flávio Gomes permanece o único remanescente de sua fundação, a Profa. Maria Angélica Alves Gomes.

O AMODS, durante a solenidade de inauguração, teve suas instalações bentas pelo Padre Roberto Oliveira que entronizou o Cristo Crucificado; posteriormente, recebeu a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima, conduzida pelos Arautos do Evangelho, oportunidade em que também foi entronizado um quadro com sua imagem. A instituição é dirigida pelo Prof. Deodato Guimarães Santos.