Japoneses na Bahia

Histórias contadas, memórias preservadas, japoneses na Bahia, historiografar e revelar nossas memórias do trabalho e das vivencias com personagens da descoberta do vírus amarílico, da cooperação técnico-cientifica Bahia-Japão, dos ensinamentos do Método Suzuki, da música e da língua japonesa e do incentivo à agricultura, a gastronomia, a poesia japonesa (haiku) e tantas outras atividades.

Japoneses ou nissei, celebridades ou anônimos que aqui estiveram e deixaram um rastro expressivo científico, artístico e cultural.

 

 

HIDEYO NOGUCHI, cientista japonês, que beneficiou o mundo com suas pesquisas na área de saúde, nos primórdios da utilização do microscópio, e a ciência o trouxe às Américas do Norte e do Sul, tendo sido pioneiro e um dos fundadores do Instituto de Pesquisas Médicas em Nova York, atualmente Instituto Rockfeller. Sua vinda ao Brasil foi para atuar no combate à epidemia de febre amarela. Passou pelo Rio de Janeiro, em 1923, também por São Paulo, mas foi na Bahia que se estabeleceu maior parte do tempo, durante três meses, exatamente no bairro do Canela, tendo trabalhado no imóvel onde funcionava o Instituto Gonçalo Moniz, com equipamentos de laboratório lá existentes ou por ele trazidos e que podem ser visto no Memorial, a ele dedicado, no Laboratório Central do Estado da Bahia/LACEN ou na Faculdade de Medicina da Bahia, no Terreiro de Jesus, em Salvador, preservados pelo Instituto Bahiano de História da Medicina e Ciências Afins.

 

 

 

HAKARU UENO, professor e pesquisador japonês, foi um fulcro profundo de onde emergiu um lindo e precioso leque de veterinários na Bahia, professores, pesquisadores e gestores. Doutor Honoris causa, outorgado pela Universidade Federal da Bahia/UFBA. Exerceu essa função em outros estados do Brasil, mas a Bahia foi a mais beneficiada graças ao seu empenho, que enviou ao Japão professores e estudantes da Universidade Federal da Bahia/UFBA, como bolsistas da Agencia de Cooperação Internacional do Japão/JICA, para o aperfeiçoamento técnico-científico e ainda equipou o Laboratório de Diagnóstico das Parasitoses do Hospital de Medicina Veterinária. Em contrapartida, os professores trouxeram à Bahia profissionais da área de Medicina Veterinária provenientes de países da América Latina e da África Lusófona, para aprenderem com a equipe aqui formada. Hoje estes profissionais estão distribuídos em diversas Instituições de Ensino e Pesquisa e carregam consigo a oportunidade do aprendizado que tiveram e o incentivo que aprenderam a dar a seus alunos. Depõem com muita gratidão sobre esses fatos.

 

TAKESHI KOBAYASHI, concertista japonês, um sonho realizado na Bahia em 1995, repetido em 2008, é hoje, um amigo conquistado, reverenciado pela excelência do legado ofertado à educação musical baiana. O primeiro presente de Kobayashi em 1995 foi o recital no Teatro Castro Alves, em 22 de novembro, dia de Santa Cecília, dedicado à música. Implantou o método Suzuki no Brasil. Ministrou aulas sobre este método e a Bahia não tinha tido oportunidade de apreciar um conjunto de violinistas, na maioria mirins, com arcadas perfeitas, afinação exata, sem defeito, causando emoção aos que assistiram e lotaram o Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia. O Mestre Kobayashi retornou a Salvador em 2008, com intenção de treinar apenas os professores de violino na Bahia, mas com o espírito humanitário, sabendo que alunos se deslocaram de cidades distantes, mudou seu plano de atuação para atendê-los, bem como à multidão de outros alunos residentes locais. Assim testemunhamos a simplicidade do Mestre, o carinho pela atenção que dispensou, e a “mocidade” para suportar tanto tempo de aula, em dois turnos consecutivos.

 

ERIKO SATO, regente japonesa, temos acompanhado seu trabalho desde que foi admitida associada da ACBJ-BA, em 1995. Facilmente se adaptou aos baianos e à rotina de vida em Salvador. Logo participou da orquestra do Ateneu Musical Osvaldo Devay de Sousa, pois tocava flauta doce, um pouco de piano e dedicou-se a participar no grupo musical, de preferência com o violino. Mas, se necessário, conseguiu participar, também, com a viola. Com a facilidade musical e a boa voz de que é possuidora, logo fundou o Coral Kosmos, que se apresentou na primeira vez, na Fundação Instituto Feminino da Bahia, e mais tarde para um público maior, no Museu Costa Pinto em 1997, no lançamento do CD Angélica San, de músicas com estilo japonês. Também contribui culturalmente com o ensino da língua japonesa, preparando jovens para o exame de proficiência, para qual usa uma técnica de ensino rápido que possibilita a seus alunos boas colocações no Concurso de Oratória Japonesa patrocinado pelo Consulado Geral do Japão no Recife.

 

KYUJI SHIMIZU, japonês, um cavalheiro respeitado e estimado pelos baianos e especialmente por seus compatriotas e descendentes. Chegou ao Brasil em 1960 com a família e fixou residência em Mata de São João, município baiano. Muito sensível às necessidades vitais por onde passou, na Bahia, foi enfrentado problemas e dedicando-se a resolvê-los, para manter os seus conterrâneos em região sem fornecimento de água tratada e de energia elétrica, e mesmo assim incentivando as plantações de tomate e limão Taiti, que logo despertou os baianos para a qualidade. Sua facilidade de comunicação e sua visão para o enfrentamento de dificuldades o levou a resolver o problema do transporte para venda dos produtos cultivados, como Vice-Presidente da Associação Japonesa de Itapecerica, no Núcleo Colonial JK, buscando diálogo com a Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia. Outras áreas importantes de sua atuação foram desenvolvidas na educação, como Diretor Educacional da Cultura e Língua Japonesa da Associação Cultural Nippo-Brasileira de Salvador, e na gastronomia, como fundador do primeiro restaurante japonês na Bahia, em Salvador, em 1974, o Sukiyaki, preferido pelos baianos admiradores da culinária japonesa. Seu trabalho tem sido reconhecido por autoridades japonesas e brasileiras.

 

 


TAKECHI OKUMURA, haicaísta nissei, nascido em Bauru no Estado de São Paulo. Foi admitido na ACBJ-BA em 19 de novembro de 1991. Eleito segundo Secretário por quatro operosos mandatos. Tradutor de livros e outros impressos. Gentil, polido e prestativo, cumpria as missões a ele confiadas em especial a tradução para o português da autobiografia do Maestro Takeshi Kobayashi. Em 10 de agosto de 1995 durante a sessão solene realizada na Academia Baiana de Letras, comemorativa aos 100 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação assinado pelo Brasil e Japão, Okumura declamou haicais originais de Matsuo Bashô. Como cultor de haicais sua produção era publicada pelo Jornal Japonês Shimbum em São Paulo. Louvando seus esforços e qualificações ele foi agraciado com o Título de Associado Especial da ACBJ-BA.